História / Ciência e tecnologia na Marinha
Ciência e tecnologia na Marinhade 1763 a 2026
Do Arsenal Real ao submarino construído em Itaguaí: como a Marinha passou a produzir o conhecimento que usa, e onde essa linha chega hoje, nos institutos e tecnologias desta Vitrine.
- eras
- 7
- marcos com fonte
- 94
- personagens
- 11
- institutos hoje
- 18
Planta hidrográfica da Laguna (SC), levantada e desenhada em 1864 pelo 1º Tenente Antonio Luiz von Hoonholtz, futuro Barão de Teffé. Domínio público
01 / Eras
Sete eras, uma linha contínua
Cada era começa quando surge uma capacidade que a Marinha passa a produzir, e não apenas comprar, ou uma instituição que ainda existe hoje.
- 011763 a 1821O estaleiro e a academiaA Coroa decide fabricar navios na colônia. Com a Corte, em 1808, chegam a academia, a botica e a tropa de bordo.
- 021822 a 1889A ciência imperial do marO Império aprende a desenhar a própria costa e leva a Marinha à ciência internacional.
- 031889 a 1945As tecnologias novas da RepúblicaRádio, submarinos e aviões chegam cedo à Marinha, mas os navios ainda vêm prontos de fora.
- 041946 a 1969Ciência como política de EstadoO pós-guerra convence a Marinha de que precisa de laboratório próprio e de uma política nacional de ciência.
- 051970 a 1989Fragatas, computadores e o marUm programa de fragatas digitais puxa computador, empresa e centro de pesquisa. O mesmo período cria a maior parte das ICT atuais.
- 061990 a 2007A Amazônia AzulO objeto da ciência naval se desloca do navio para o território marítimo.
- 072008 a 2026Sistema de CT&I e soberania industrialDe três institutos isolados a um sistema com 18 ICT, enquanto submarino, míssil e fragata passam a ser feitos no país.
Era 1 1763 a 1821
O estaleiro e a academia
A Coroa decide fabricar navios na colônia. Com a Corte, em 1808, chegam a academia, a botica e a tropa de bordo.
Pressionada pelo ouro de Minas e pelos conflitos no Sul, a Coroa portuguesa funda em 1763 o Arsenal Real da Marinha, ao pé do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. Quatro anos depois, o estaleiro lança a nau São Sebastião, sua primeira obra.
A transferência da Corte, em 1808, traz três sementes que atravessam os séculos: a Academia Real dos Guardas-Marinha, criada em Lisboa em 1782 para ensinar matemática e ciências da navegação; a Botica Militar, origem do Laboratório Farmacêutico; e a Brigada Real da Marinha, marco zero dos Fuzileiros Navais.
No mesmo ano se instala o Ministério da Marinha, com hospital, arquivo e fábrica de pólvora, e o Arsenal passa a sustentar a Esquadra recém-chegada.
Por que importa. Fabricar, ensinar e cuidar: as três vocações que a Marinha mantém até hoje nascem nesta era.

Marcos 8
1763
Fundado o Arsenal Real da Marinha
O Conde da Cunha funda o estaleiro ao pé do Mosteiro de São Bento, no Rio de Janeiro. É a origem do atual Arsenal de Marinha e da linha de projetar e construir navios no país.
1767
A nau São Sebastião desce ao mar
Primeira obra do Arsenal Real, a nau São Sebastião, conhecida como “Nau Serpente”, é lançada quatro anos depois da fundação do estaleiro.
1782
Criada a Academia Real dos Guardas-Marinha
D. Maria I cria em Lisboa a academia que forma os futuros oficiais da Marinha portuguesa, com currículo de matemática e ciências aplicadas à navegação.

Atlas des Enfans, edição de 1784 que pertenceu à Academia Real dos Guardas-Marinha, no acervo da DPHDM. Foto da Marinha do Brasil, 2019.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1808
A Academia dos Guardas-Marinha chega ao Rio
A Academia acompanha a Corte com alunos, professores e arquivo e se instala no Mosteiro de São Bento, onde fica até a década de 1830. Fixa-se em Villegagnon em 1938, como Escola Naval.
1808
O Arsenal passa a sustentar a Esquadra
Com a chegada da Corte, o Arsenal Real é ampliado para apoiar a Esquadra e assume o controle de recursos e o abastecimento da Marinha no Brasil, como Arsenal de Marinha da Corte.
1808
A Brigada Real da Marinha desembarca no Rio
Criada em 1797, a tropa chega com a Corte, instala-se na Fortaleza de São José, na Ilha das Cobras, e guarda as instalações da Marinha. A data é o marco zero do Corpo de Fuzileiros Navais.
1808
O Ministério da Marinha se instala no Rio
Instala-se o Ministério dos Negócios da Marinha e Ultramar. Seguem-se repartições como o Quartel-General da Armada, o Arquivo Militar, o Hospital de Marinha e a Fábrica de Pólvora.
1808
Criada a Botica Militar
Decreto cria a botica, entregue ao boticário Joaquim José Carvalho. É a origem do atual Laboratório Farmacêutico da Marinha.

Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
Era 2 1822 a 1889
A ciência imperial do mar
O Império aprende a desenhar a própria costa e leva a Marinha à ciência internacional.
O Império herda cartas portuguesas e francesas. A partir de 1830, oficiais brasileiros passam a levantar a costa; Vital de Oliveira cartografa o litoral do Nordeste e Hoonholtz, futuro Barão de Teffé, escreve o Compêndio de Hidrografia adotado na Academia.
Na Guerra da Tríplice Aliança, engenheiros brasileiros projetam e constroem encouraçados no Arsenal da Corte. Em 1876 nasce a Repartição Hidrográfica, dirigida por Teffé, que em 1882 chefia a comissão brasileira na Passagem de Vênus.
Em 1888, o Ministério da Marinha ganha a Repartição Central Meteorológica, o centro da meteorologia e da física terrestre do Império, com avisos do tempo aos portos.
Por que importa. É o nascimento da ciência do mar como serviço de Estado, linhagem direta da DHN e do atual Centro de Hidrografia da Marinha.

Sou hidrógrafo em tempo de paz, mas em tempo de guerra reivindico meus fôros de oficial combatente e, por isso, me apresso em solicitar a V. Exa permissão para conduzir o Navio sob meu Comando ao Porto do Rio de Janeiro a fim de completar sua artilharia e munições bélicas e partir para o Rio da Prata e incorporar-me à Divisão em Operações.
- 1876Repartição HidrográficaDecreto Imperial nº 6.113
- 1891Repartição da Carta Marítimareorganização
- 1908Superintendência de Navegaçãoreorganização
- 1946Diretoria de Hidrografia e Navegaçãonome atual da DHN
- 1998Centro de Hidrografia da Marinhacriado na DHN, ativado em 1999
Fontes Decreto nº 74.055, de 13/05/1974, art. 1º; CHM, Histórico
Marcos 9
década de 1830
Oficiais brasileiros desenham as primeiras cartas
A partir de 1830, oficiais da Marinha começam a levantar a costa. Até então, a navegação dependia de cartas portuguesas e francesas, com destaque para as de Mouchez.
1840
A Botica passa a funcionar junto ao hospital
O Decreto nº 58 determina que a Botica Militar funcione anexa ao Hospital Militar e da Marinha.
1850 a 1867
Vital de Oliveira levanta o litoral do Nordeste
Nas décadas de 1850 e 1860, Manoel Antônio Vital de Oliveira levanta o litoral do RN, PB, PE e AL, com cinco cartas e um roteiro. É o patrono da hidrografia brasileira.

Carta do Atol das Rocas, levantada por Manoel Antônio Vital de Oliveira em agosto de 1858. Biblioteca Nacional Digital do Chile.Manoel Antônio Vital de Oliveira (1829-1867), Biblioteca Nacional Digital do Chile. Domínio público 1857
Levantamento hidrográfico da Baía de Guanabara
Como ajudante de ordens do futuro Visconde de Lamare, o jovem oficial Antônio Luís von Hoonholtz, futuro Barão de Teffé, faz um dos primeiros levantamentos hidrográficos da Marinha.
1859
Publicado o Compêndio de Hidrografia
Hoonholtz publica o Compêndio de Hidrografia, considerado a primeira obra sobre o tema em português adotada na Academia de Marinha.
1865 a 1866
Encouraçados projetados e construídos no Arsenal
Na Guerra da Tríplice Aliança, engenheiros brasileiros como Napoleão Level e Carlos Braconnot projetam e constroem navios couraçados no Arsenal da Corte. O Tamandaré está entre os três primeiros.

Lançamento do encouraçado Sete de Setembro no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, em 16 de maio de 1874. Desenho de autor não identificado, Brasiliana Iconográfica.Autor não identificado, Brasiliana Iconográfica. Domínio público imagem tratada 1876
Nasce a Repartição Hidrográfica
O Decreto nº 6.113 cria a Repartição Hidrográfica para levantar a carta geral das costas do Brasil. O primeiro diretor é o Barão de Teffé. É o embrião da DHN e do atual CHM.

Planta hidrográfica da Laguna (SC), levantamento do 1º Tenente Antonio Luiz von Hoonholtz, 1864. Bibliothèque nationale de France.Antonio Luiz von Hoonholtz (1837-1931), Bibliothèque nationale de France. Domínio público 1882
A Marinha observa a Passagem de Vênus
Teffé chefia a comissão brasileira na Ilha de São Tomás, nas Antilhas, no esforço de 14 países para medir a paralaxe solar, a convite de Luís Cruls, do Imperial Observatório.
1888
Criada a Repartição Central Meteorológica
O Decreto nº 9.916 cria no Ministério da Marinha o centro da meteorologia e da física terrestre do Império, com técnicos oficiais da Armada e avisos do tempo aos portos.
Fonte (1)

Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
Pessoas desta era
1837 a 1931Almirante Barão de TefféHidrografia e astronomiaLer perfil
- 1829 a 1867Capitão de Fragata Vital de OliveiraHidrografiaPatrono HidrografiaLer perfil
- 1797 a 1868Cirurgião-Mor da Armada Soares de MeirellesMedicina e saúde navalPatrono Corpo de Saúde da MarinhaLer perfil
- 1848 a 1906Contra-Almirante (EN) João Cândido BrazilEngenharia e construção navalPatrono Corpo de Engenheiros NavaisLer perfil
Era 3 1889 a 1945
As tecnologias novas da República
Rádio, submarinos e aviões chegam cedo à Marinha, mas os navios ainda vêm prontos de fora.
A Marinha adota cedo as tecnologias que mudavam a guerra: radiotelegrafia em 1904, submersíveis em 1914 e, em 1916, a primeira escola militar de aviação do país. O ensino avança com o Curso Superior de Marinha (1911) e a Escola Naval de Guerra (1914).
Os navios, porém, ainda vêm prontos de estaleiros estrangeiros. O Arsenal só se moderniza na Ilha das Cobras por volta de 1930. Nos anos 1930 a hidrografia se institucionaliza, o país imprime sua primeira carta náutica (1933) e nasce o Instituto Naval de Biologia (1934).
A criação do Ministério da Aeronáutica, em 1941, tira da Marinha seu componente aéreo e fecha a era.
Por que importa. Mostra a tensão entre adotar tecnologia e dominá-la, que move toda a história seguinte.

- 1916 a 1941Escola de Aviação Naval e primeira aviação
- 1952 a 1965Diretoria de Aeronáutica da Marinha
- 1965 a 1998Só helicópteros, por decreto
- 1998 a hojeVolta da asa fixa
- Aviação com aviões e helicópteros
- Só asas rotativas
- Sem aviação própria (1941 a 1952)
Marcos 12
1891
A hidrografia vira Repartição da Carta Marítima
O Decreto nº 658 reorganiza a Repartição Hidrográfica, que passa a se chamar Repartição da Carta Marítima.
1904
A Marinha testa a radiotelegrafia
Uma comissão testa dois aparelhos Telefunken no Batalhão Naval, na Ilha das Cobras. Em 1905, o encouraçado Aquidabã é o primeiro navio da Esquadra com o equipamento.
1911
Criado o Curso Superior de Marinha
O Decreto nº 8.650 cria na Escola Naval o Curso Superior de Marinha, embrião da Escola de Guerra Naval.
Fonte (1)
1914
Nasce a Flotilha de Submersíveis
Três pequenos submersíveis da classe Foca inauguram a arma submarina da Marinha do Brasil.

Submarino F1, da classe Foca, que inaugurou a Flotilha de Submersíveis em 17 de julho de 1914 e deu baixa em 1933.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1915
Criada a Liga de Sports da Marinha
A Liga de Sports da Marinha é a origem do atual CEFAN, que recebe o nome em 1973.
Fonte (1)
1916
Escolas de Aviação e de Submersíveis
O Decreto nº 12.167 cria as duas escolas. A de aviação, primeira escola militar de aviação do país, começa com três hidroaviões Curtiss F.

O 1º Tenente Schorcht e o Capitão de Corveta Protógenes Guimarães com o hidroavião em que iniciaram, em 4 de janeiro de 1917, o primeiro reide aéreo até Campos (RJ).Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1930
O novo Arsenal funciona na Ilha das Cobras
Projetado em 1920 e revisto em 1926, o novo Arsenal já funciona em 1930. Sua Oficina de Estruturas foi a maior área industrial coberta da América do Sul.
1933
Impressa a primeira carta náutica feita no país
A carta de Mangaratiba, na Ilha Grande, sai de uma tipografia local, ainda rudimentar. A hidrografia se institucionaliza nesses anos e, em 1939, chega uma impressora offset.
Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
Pessoas desta era
1878 a 1953Vice-Almirante Radler de AquinoNavegação astronômicaLer perfil
- 1876 a 1938Vice-Almirante Protógenes GuimarãesAviação navalPatrono Aviação NavalLer perfil
- 1882 a 1941Vice-Almirante Moraes RegoRadiotelegrafia e comunicações navaisPatrono Comunicações NavaisLer perfil
- 1870 a 1929Vice-Almirante Felinto PerrySubmarinosPatrono Força de SubmarinosLer perfil
Era 4 1946 a 1969
Ciência como política de Estado
O pós-guerra convence a Marinha de que precisa de laboratório próprio e de uma política nacional de ciência.
O Almirante Álvaro Alberto leva ao governo, em 1947, a proposta de um programa atômico e idealiza o CNPq, criado em 1951 sob sua presidência. Em 1954 negocia três ultracentrífugas alemãs, cujo embarque é barrado pelas autoridades aliadas de ocupação.
Em 1953, o Almirante Paulo Nogueira Penido propõe um laboratório de pesquisas. A pedra fundamental vem em 1955 e o IPqM nasce em 1959, com biologia marinha e oceanografia ao lado de armamento e eletrônica. Robert Oppenheimer o visita em 1961.
Em 1956, Paulo Moreira identifica a ressurgência de Cabo Frio como fonte de alimento do mar. A Botica vira Laboratório Farmacêutico em 1958.
Por que importa. É o primeiro centro de P&D da Força e a ponte explícita entre Marinha, ciência nacional e energia nuclear.

É proibida a exportação, por qualquer forma, de urânio e tório e seus compostos e minérios, salvo de govêrno para govêrno, ouvidos os órgãos competentes.
Marcos 12
1947
Aprovada a proposta de um programa atômico
O Conselho de Segurança Nacional aprova a proposta do Almirante Álvaro Alberto, enviada de Nova York, para um programa nacional de energia atômica.
1951
Criado o Conselho Nacional de Pesquisas
A Lei nº 1.310 cria o CNPq, idealizado e presidido pelo Almirante Álvaro Alberto. A lei proíbe exportar urânio e tório, salvo de governo para governo.
1953
Proposto um laboratório de pesquisas da Marinha
No Ofício nº 1204, o Diretor-Geral de Eletrônica, Almirante Paulo Nogueira Penido, propõe ao Ministro da Marinha a criação de um laboratório de pesquisas.
1954
Compradas três ultracentrífugas na Alemanha
Em negociação sigilosa conduzida por Álvaro Alberto, o Brasil compra três ultracentrífugas na Alemanha Ocidental. As autoridades aliadas de ocupação impedem o embarque, sob pressão dos EUA.
1955
Lançada a pedra fundamental do IPqM
Na Ponta do Matoso, Ilha do Governador, a pedra fundamental é lançada com a presença de Álvaro Alberto. O prédio é dos arquitetos Hélio Queiroz Duarte e Ernest Mange.
1956
Paulo Moreira aponta a ressurgência de Cabo Frio
O Capitão de Corveta Paulo Moreira identifica a região de Cabo Frio, sob a ressurgência de águas frias e férteis, como área promissora para produzir proteína a partir do mar.
Fonte (1)
1958
A Botica vira Laboratório Farmacêutico
O Decreto nº 44.898 reestrutura a antiga Botica Militar e lhe dá o nome de Laboratório Farmacêutico da Marinha.
1959
Criado o Instituto de Pesquisas da Marinha
O Decreto nº 46.426 cria o IPqM com sete áreas: armamento, biologia marinha, bioquímica, oceanografia física, eletrônica, química e acústica submarina.

Prédio do Instituto de Pesquisas da Marinha (IPqM), criado em 1959 na Ilha do Governador, Rio de Janeiro. Diapositivo sem data, coleção Dyrce Lacombe, Casa de Oswaldo Cruz.Autor não identificado, Casa de Oswaldo Cruz (Fiocruz), coleção Dyrce Lacombe. CC BY-SA 4.0 imagem tratada 1961
Chega o navio-aeródromo Minas Gerais
Chega o navio-aeródromo Minas Gerais, e o Aviso nº 1003, de 5 de junho, cria a Força Aérea Naval.

Navio-aeródromo ligeiro Minas Gerais (A11) fundeado no Rio de Janeiro em 1968. Foto da U.S. Navy.U.S. Navy (cruise book do USS America). Domínio público (obra do governo dos EUA) imagem tratada 1961
Robert Oppenheimer visita o IPqM
O físico Robert Oppenheimer assina o Livro de Honra do instituto. Álvaro Alberto também registra a visita.
Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
Era 5 1970 a 1989
Fragatas, computadores e o mar
Um programa de fragatas digitais puxa computador, empresa e centro de pesquisa. O mesmo período cria a maior parte das ICT atuais.
As fragatas Niterói, primeiros navios da Marinha com sistemas digitais de armas e sensores, geram três desdobramentos: o grupo de trabalho que leva ao computador G-10 e à COBRA (1974), o CASNAV (1975), criado para avaliá-las, e a construção de duas delas no AMRJ. A Diretoria de Engenharia Naval projeta as corvetas Inhaúma.
O Programa Nuclear da Marinha começa em 1979, dentro do programa autônomo conhecido como paralelo. Ganha a COPESP em 1986, vê anunciado o domínio do enriquecimento em 1987 e inaugura Aramar em 1988. A Constituição de 1988 restringe a atividade nuclear a fins pacíficos.
O Projeto Cabo Frio vira o INEM (1984), atual IEAPM. O Brasil chega à Antártica (1982 e 1984) e começa a medir a própria plataforma continental (1987).
Por que importa. É a era da substituição de importações em tecnologia sensível, com a Marinha como cliente que induz a indústria.

toda atividade nuclear em território nacional somente será admitida para fins pacíficos e mediante aprovação do Congresso Nacional
- Computador1972Protótipo G-10desenvolvido por USP e PUC-Rioantes: Grupo de Trabalho Especial, 1971, iniciativa da Marinha com a Secretaria de Planejamento
- Empresa1974COBRAComputadores e Sistemas Brasileiros, nascida da demanda da Marinha, herda o G-10
- Centro de pesquisa1975CASNAVcriado para a avaliação operacional das fragatas
Duas das seis fragatas, Independência e União, foram construídas no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro entre 1972 e 1980.
Fontes Vaisburd, "Yes, o Brasil tem Cobra", COPPE/UFRJ, 1999; CASNAV, Histórico; Vogt, Revista Marítima Brasileira, 1º trim. 2015
- 01Mineração e beneficiamentoo minério vira concentrado (yellowcake)
- 02Conversãoo concentrado vira hexafluoreto de urânio, um gás
- 03Enriquecimentoultracentrífugas em cascata separam o urânio-235; salvaguardas da ABACC e da AIEAEtapa desenvolvida pela Marinha
- 04Reconversãoo gás volta a ser pó de dióxido de urânio
- 05Elemento combustívelpastilhas em varetas agrupadas
- 06Reatora fissão gera calor; no submarino, propulsão. O LABGENE, em Aramar, é o protótipo em terraEtapa desenvolvida pela Marinha
- 07Final do cicloarmazenamento do combustível usado e gestão de rejeitos
- Urânio natural: cerca de 0,7% de urânio-235
- Baixo enriquecimento, usado em reatores de potência: de 3% a 5%
Fontes CNEN, apostila "A Energia Nuclear e suas Aplicações"; INB, "O que é o enriquecimento"; Planalto, PROSUB, 27/03/2024
Costa: Natural Earth. Posição da estação: Wikidata. Ilustrativo, não usar para navegação. Estereográfica polar sul (paralelo de escala verdadeira 71° S, meridiano central 58° O, WGS84); o inset usa a mesma projeção.


Fontes Natural Earth, Admin 0 Countries 1:10m e 1:50m, Land 1:10m, Antarctic Ice Shelves 1:10m; Wikidata Q683143, Estação Antártica Comandante Ferraz, coordenada (P625); SECIRM, Estação Antártica Comandante Ferraz
Marcos 18
1971 a 1974
Começa o Projeto Cabo Frio
Idealizado por Paulo Moreira no IPqM, o projeto começa em 1971 e se instala em Arraial do Cabo em 1974, com gelo para a pesca, maricultura e a ideia de uma universidade do mar.
1971
Nasce o centro técnico dos Fuzileiros Navais
Criado o Centro de Reparos e Suprimentos Especiais do CFN, ativado em 1972. Em 2012 recebe o nome de Centro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais.
1972 a 1980
Fragatas Niterói: os primeiros navios digitais
Com projeto da Vosper Thornycroft, quatro fragatas são feitas na Inglaterra e duas, Independência e União, no AMRJ. São os primeiros navios da Marinha com sistemas digitais de armas e sensores.
1974
Da demanda da Marinha nasce a COBRA
A Computadores e Sistemas Brasileiros é criada e herda o G-10. O grupo de trabalho é extinto em 1976 e o sucessor, G-11, sai em 1978.
1978 a 1994
Corvetas Inhaúma: projeto feito no Brasil
A Diretoria de Engenharia Naval faz a concepção e o projeto; o AMRJ detalha e constrói. São os primeiros navios de combate projetados e construídos no Brasil na história republicana.

Corveta Inhaúma (V30), primeira da classe concebida pela Diretoria de Engenharia Naval e construída no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Foto de 2005.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1979
Começa o Programa Nuclear da Marinha
A Marinha inicia o programa para dominar o ciclo do combustível e desenvolver uma planta de propulsão. Ele integra o programa autônomo do país, conhecido como paralelo, sigiloso e fora das salvaguardas.
1982
Primeiro enriquecimento com centrífugas nacionais
Realiza-se a primeira experiência de enriquecimento de urânio com ultracentrífugas de tecnologia nacional, desenvolvidas no programa da Marinha.
Fonte (1)
1982
Contratados os submarinos IKL-1400
O Tupi é construído em Kiel, na Alemanha; os outros três da classe, no AMRJ, entre 1986 e 1999. O segundo, Tamoio, é o primeiro submarino construído no Brasil.

Submarino Tamoio (S31), o primeiro construído no Brasil, no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro. Foto de 2006.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1982
Criado o Programa Antártico Brasileiro
O Decreto nº 86.830 entrega à CIRM, criada em 1974, o Programa Antártico. Em dezembro, o NApOc Barão de Teffé e o NOc Professor W. Besnard partem na primeira operação.

Navio de Apoio Oceanográfico Ary Rongel (H44) em águas antárticas, 4 de janeiro de 2004.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 1984
Inaugurada a Estação Antártica Comandante Ferraz
Na Península Keller, Ilha Rei George, a estação começa com oito módulos, cerca de 150 m² e um grupo-base de 12 pessoas por 32 dias.
1984
Criado o Instituto Nacional de Estudos do Mar
O INEM assume o Projeto Cabo Frio e a biologia marinha do IPqM. Em 1985 recebe o nome de Paulo Moreira, origem do atual IEAPM.
1986
Criada a COPESP, origem do CTMSP
O Decreto nº 93.439 cria em São Paulo a Coordenadoria para Projetos Especiais, para obter para a Marinha sistemas com características especiais. Desde 1995 chama-se CTMSP.
1987
Começa o levantamento da plataforma continental
O NOc Almirante Câmara faz a primeira comissão do LEPLAC. Em 1989, o Decreto nº 98.145 aprova o plano, base do futuro pleito brasileiro na ONU.
1987
Anunciado o domínio do enriquecimento
O presidente da República anuncia ao país que o Brasil domina o enriquecimento de urânio, alcançado no programa autônomo, conhecido como paralelo.
1988
Nasce o Instituto de Pesquisas Biomédicas
Com o Decreto nº 95.869, o Hospital Naval Marcílio Dias assume a pesquisa médica da Marinha por meio do Instituto de Pesquisas Biomédicas.
1988
Inaugurado o Centro Experimental Aramar
Em Iperó (SP), Aramar passa a abrigar as instalações do programa nuclear da Marinha, entre elas a Unidade de Enriquecimento Almirante Álvaro Alberto.

Vista aérea do Centro Experimental Aramar, em Iperó (SP), na visita do diretor-geral da AIEA em 17 de julho de 2021. IAEA Imagebank.IAEA Imagebank (Flickr). CC BY 2.0 imagem tratada
Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
- CASNAVCentro de Análises de Sistemas Navais6 tecnologias no portfólio
- IEAPMInstituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira3 tecnologias no portfólio
- CTMSPCentro Tecnológico da Marinha em São Paulo4 tecnologias no portfólio
- CTecCFNCentro Tecnológico do Corpo de Fuzileiros Navais
- HNMD/IPBHospital Naval Marcílio Dias / Instituto de Pesquisas Biomédicas2 tecnologias no portfólio
Era 6 1990 a 2007
A Amazônia Azul
O objeto da ciência naval se desloca do navio para o território marítimo.
A Lei 8.617 (1993) e a entrada em vigor da Convenção do Mar para o Brasil (1994) dão base jurídica ao território marítimo. Em 2004 o país entrega à ONU a proposta de limite exterior da plataforma continental, e o Comandante da Marinha cunha a expressão Amazônia Azul.
O CASNAV passa a prestar serviços de C&T (1997), a aviação de asa fixa volta (1998), o Centro de Hidrografia é criado (1998) e uma estação científica passa a operar no Arquipélago de São Pedro e São Paulo.
O Brasil cria a ABACC com a Argentina (1991) e adere ao TNP (1998). Com pouco orçamento, o programa nuclear leva suas centrífugas à indústria em Resende (2006) e é retomado em 2007.
Por que importa. Dá à página seu argumento central: ciência do mar é soberania, e por isso hidrografia, dados oceanográficos e vigilância marítima são temas de C&T.

- Zona Econômica Exclusiva (até 200 milhas náuticas) 3.677.664 km²
- Região Sul: plataforma além das 200 milhas com recomendação da ONU (2019) cerca de 170.000 km²
- Margem Equatorial: plataforma além das 200 milhas com recomendação da ONU (2025) cerca de 360.000 km²Desenhada pelo limite submetido em 2017; o limite aprovado em 2025 ainda não está em dados abertos e pode diferir um pouco.
- Margens Oriental e Meridional: área pleiteada além das 200 milhas, em análise na ONU cerca de 1.500.000 km²
ZEE e plataforma continental: Flanders Marine Institute, Marine Regions, CC BY 4.0. Costa: Natural Earth. Ilustrativo, não usar para navegação. Cônica equivalente de Albers (paralelos-padrão 2° S e 28° S, meridiano central 48° O, WGS84); preserva áreas.
Fontes Natural Earth, Admin 0 Countries 1:10m e 1:50m, Land 1:10m, Antarctic Ice Shelves 1:10m; Marine Regions, World EEZ v12 (MRGID 8464 e 8381); SECIRM, LEPLAC (áreas oficiais anunciadas)
Marcos 13
1991
Brasil e Argentina criam a ABACC
Os dois países firmam acordo para o uso exclusivamente pacífico da energia nuclear e criam a ABACC. Em dezembro, assinam em Viena o Acordo Quadripartite com a AIEA.
1993
Lei define os espaços marítimos do Brasil
A Lei nº 8.617 define mar territorial, zona econômica exclusiva e plataforma continental segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar.
Fontes (2)
1994
Convenção do Mar entra em vigor para o Brasil
A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar passa a vigorar para o Brasil, base jurídica do pleito pela plataforma continental além das 200 milhas.
Fonte (1)
1998
Estação científica em São Pedro e São Paulo
Entra em operação a primeira estação científica do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, no meio do Atlântico. Ela é substituída por outra em 2008.
1998
A Aviação Naval volta à asa fixa
O Decreto nº 2.538 devolve à Marinha as aeronaves de asa fixa, restritas desde 1965 aos helicópteros. Começa a quarta fase da Aviação Naval.
1998
O Brasil adere ao TNP
O Brasil deposita o instrumento de adesão ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares. A Constituição de 1988 já restringia a atividade nuclear a fins pacíficos.
1998
Criado o Centro de Hidrografia da Marinha
A Portaria Ministerial nº 360 cria o CHM, ativado em 27 de dezembro de 1999 na estrutura da DHN.
2004
Nasce a expressão Amazônia Azul
No artigo “A outra Amazônia”, na Folha de S.Paulo, o Comandante da Marinha cunha a expressão Amazônia Azul para o mar sob jurisdição brasileira.
2004
O Brasil leva à ONU o limite da plataforma
O Brasil entrega à Comissão de Limites da Plataforma Continental a proposta de limite exterior: 960 mil km² além das 200 milhas, com base nos levantamentos do LEPLAC.
Fonte (1)
2006
Centrífugas da Marinha chegam à indústria
A INB inaugura em Resende (RJ) a primeira cascata industrial de ultracentrífugas, desenvolvidas pelo CTMSP com o IPEN. A usina começara a ser implantada em 2000.
2007
ONU pede revisão de parte do pleito
A Comissão de Limites não concorda com cerca de 190 mil km², 20% da área pedida. O Brasil decide preparar uma proposta revista, com novos levantamentos.
Fonte (1)
2007
O governo retoma o Programa Nuclear
Em visita a Aramar e ao LABGENE, o presidente da República anuncia recursos para retomar o programa, que vinha de anos de orçamento muito reduzido.
Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
Era 7 2008 a 2026
Sistema de CT&I e soberania industrial
De três institutos isolados a um sistema com 18 ICT, enquanto submarino, míssil e fragata passam a ser feitos no país.
A Secretaria de C&T da Marinha nasce em 2008 com três institutos, vira órgão de direção setorial em 2012 e DGDNTM em 2016, com o PROSUB e o Programa Nuclear. Surgem o NIT-MB (2009), a AMAZUL (2012) e o CTMRJ (2016). Em 2026 o sistema reúne 18 ICT.
O acordo com a França (2008) cria o PROSUB: o Riachuelo vai ao mar em 2018 e os quatro convencionais estão lançados em 2025. O submarino com propulsão nuclear está em detalhamento de projeto. O MANSUP voa desde 2018 e a fragata Tamandaré é incorporada em 2026.
A ONU aprova a plataforma estendida da Região Sul (2019) e da Margem Equatorial (2025), e a nova Estação Ferraz abre em 2020.
Por que importa. É a era em que a própria Vitrine existe: propriedade intelectual, transferência de tecnologia e inovação aberta passam a fazer parte da missão.

O submarino terá armamento convencional e usará urânio de baixo enriquecimento. Ele não representa risco de proliferação.
The submarine will be conventionally armed and will use low-enriched uranium. It does not pose proliferation risk.
- 1782ENAcademia Real dos Guardas-Marinha (Lisboa; no Rio desde 1808)
- 1808LFMBotica Militar
- 1808DPHDMacervo da Academia que a Diretoria guarda
- 1876CHMRepartição Hidrográfica
- 1911EGNCurso Superior de Marinha
- 1915CEFANLiga de Sports da Marinha
- 1934HNMD/IPBInstituto Naval de Biologia
- 1959IPqMcriação do IPqM (proposta de 1953)
- 1971IEAPMProjeto Cabo Frio (expedição de 1956)
- 1971CTecCFNCentro de Reparos e Suprimentos Especiais do CFN
- 1975CASNAVDecreto 75.335
- 1979CTMSPPrograma Nuclear da Marinha (COPESP, 1986)
- 2008DGDNTMSecretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação da Marinha
- 2012AMAZULLei 12.706
- 2016CTMRJPortaria 308/MB
OCM, DDNM e CPSN: data de origem ainda não conferida em fonte pública.
ICT reconhecidas
Fontes DGDNTM, Sistema de CT&I da Marinha; Dall'Agnol et al., Revista da EGN, v. 22, n. 2, 2016; Introdução à História Marítima Brasileira, DPHDM, 2025
- anúncio
- previsto
- 2008 entrega prevista no plano original: 2025. Kassenova, "Brazil's Nuclear Kaleidoscope", Carnegie, 2014
- 2020 submarino previsto, em dezembro de 2020: 2033. Agência Brasil, 11/12/2020
- 2026 lançamento ao mar previsto, em março de 2026: 2037. BBC News Brasil, 31/03/2026
Marcos 22
2008
Criada a Secretaria de C&T da Marinha
A Portaria nº 115/MB cria a SecCTM com três institutos: CASNAV, IEAPM e IPqM. É o início do sistema que, em 2026, reúne 18 ICT da Marinha.
Fonte (1)
2008
Acordo com a França cria o PROSUB
Dias após a Estratégia Nacional de Defesa incluir o submarino de propulsão nuclear, Brasil e França firmam acordo para submarinos convencionais, um nuclear e o complexo de Itaguaí.
2009
Criado o Núcleo de Inovação Tecnológica
O NIT-MB nasce para cumprir a Lei de Inovação. O primeiro curso de propriedade intelectual da Marinha, entre outubro e novembro, reúne mais de 50 alunos.
2009
Proposto o Sistema de Gerenciamento da Amazônia Azul
A Marinha propõe o SisGAAz. Interrompido em 2015 por falta de recursos, ele ganha um projeto piloto a partir do Projeto Scua, desenvolvido pelo IPqM e testado em 2017.
2012
Incêndio destrói a Estação Ferraz
O fogo atinge 70% das instalações da estação antártica e dois militares morrem. A nova estação seria inaugurada em 2020, no mesmo local.
2012
Autorizada a criação da AMAZUL
A Lei nº 12.706 autoriza a empresa pública Amazônia Azul Tecnologias de Defesa, formada por cisão da EMGEPRON com os ativos do Programa Nuclear da Marinha.
Fonte (1)
2016
Criado o Centro Tecnológico da Marinha no Rio
A Portaria nº 308/MB cria o CTMRJ, ativado em abril de 2017, que passa a reunir CASNAV, IEAPM e IPqM.
Fonte (1)
2016
A SecCTM se torna DGDNTM
O Decreto nº 8.900 transforma a SecCTM, órgão de direção setorial desde 2012, na DGDNTM, que incorpora o PROSUB e o Programa Nuclear.
Fonte (1)
2018
Primeiro lançamento do MANSUP
A corveta Barroso lança o primeiro protótipo do míssil antinavio nacional, projeto iniciado em 2008 com Omnisys, Fundação Ezute e SIATT. Seguem-se lançamentos em 2019, 2022 e 2023.

Lançamento do Míssil Antinavio Nacional de Superfície (MANSUP) pela Fragata Constituição, em 2022, no início da fase de qualificação.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 2018
O submarino Riachuelo vai ao mar
O primeiro submarino do PROSUB é lançado ao mar em Itaguaí. A construção no país, com transferência de tecnologia, é o centro do programa.

Submarino Riachuelo (S40), o primeiro do PROSUB, navegando na entrada da baía de Guanabara em 6 de setembro de 2022, ano de sua incorporação.Marinha do Brasil (Flickr oficial mboficial). CC BY-SA 2.0 imagem tratada 2019
ONU aprova a plataforma da Região Sul
A Comissão de Limites aprova a margem sul, e cerca de 170 mil km² além das 200 milhas são incorporados à plataforma continental brasileira.
Fonte (1)
2020
Inaugurada a nova Estação Ferraz
No mesmo local da antiga, a nova estação abre com 17 laboratórios, após pré-montagem modular na China. Na OPERANTAR XLIV (2025-2026), recebe 185 pesquisadores e 26 projetos.
2020
O submarino Humaitá vai ao mar
O segundo submarino do PROSUB é lançado e passa ao setor operativo em janeiro de 2024. No lançamento, a previsão divulgada para o submarino nuclear era 2033.
2021
CASNAV converte barcos em veículos não tripulados
O CASNAV passa a converter embarcações convencionais em veículos de superfície de operação remota. A tecnologia é oferecida na Vitrine como PRISMA.
Na Vitrine hoje PRISMA
Fonte (1)
2022
O Riachuelo entra em operação
O Riachuelo é incorporado ao setor operativo, primeira entrega do PROSUB.
2024
Submarino nuclear em detalhamento de projeto
A Marinha informa que o SNCA Álvaro Alberto está em detalhamento de projeto e que começou a construção da seção de qualificação do casco. Só a propulsão é nuclear.
2024
Patrimônio histórico vira ICT
A Portaria nº 233/EMA reconhece a DPHDM como ICT, nas áreas de arqueologia, arquivologia, biblioteconomia, museologia e história.
Fonte (1)
2025
ONU aprova a Margem Equatorial
Cerca de 360 mil km² são incorporados à plataforma continental, com resolução publicada em 26 de março. As margens Oriental e Meridional seguem em análise.
Fonte (1)
2025
Tonelero entregue e Almirante Karam ao mar
Em Itaguaí, o Tonelero é incorporado e o Almirante Karam, último dos quatro convencionais do PROSUB, é lançado ao mar. Em 2026 ele conclui a imersão estática.
2026
Fragata Tamandaré é incorporada
Lançada em Itajaí em 2024, a fragata é incorporada à Esquadra. O programa, da SPE Águas Azuis (TKMS, Embraer e Atech), reúne cerca de 8 mil trabalhadores e mais de mil empresas.
2026
O submarino nuclear na Conferência do TNP
O Brasil declara que o submarino terá armamento convencional e urânio de baixo enriquecimento, e que consulta AIEA e ABACC desde 2022 sobre os procedimentos especiais de verificação.
2026
MANSUP faz teste de alcance máximo
Na quinta fase de testes de qualificação, a fragata Defensora lança o míssil a cerca de 300 km de Cabo Frio.
Hoje na Vitrine
Institutos com raiz nesta era e o que eles oferecem agora.
- DGDNTMDiretoria-Geral de Desenvolvimento Nuclear e Tecnológico da Marinha
- CTMRJCentro Tecnológico da Marinha no Rio de Janeiro1 tecnologia no portfólio
- AMAZULAmazônia Azul Tecnologias de Defesa S.A.
- DDNMDiretoria de Desenvolvimento Nuclear da Marinha
- CPSNCentro de Projetos de Sistemas Navais
- CEFANCentro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes1 tecnologia no portfólio
- DPHDMDiretoria do Patrimônio Histórico e Documentação da Marinha
- ENEscola Naval
02 / Pessoas
Quem fez esta história
Perfis de personagens já falecidos e de atuação pública documentada. Patronos oficiais da Marinha levam o selo de patrono. Pessoas vivas não têm perfil.
- Cirurgião-Mor da Armada Soares de MeirellesPatrono
- Capitão de Fragata Vital de OliveiraPatrono
Almirante Barão de Teffé
- Contra-Almirante (EN) João Cândido BrazilPatrono
- Vice-Almirante Felinto PerryPatrono
- Vice-Almirante Protógenes GuimarãesPatrono
Vice-Almirante Radler de Aquino
- Vice-Almirante Moraes RegoPatrono
Vice-Almirante Álvaro AlbertoPatrono
- Vice-Almirante Paulo Moreira
- Capitão de Fragata Comandante Ferraz
Cada barra vai do nascimento à morte, na mesma escala da régua de anos.
03 / Fontes e acervos
De onde vem cada informação
Toda afirmação desta página tem fonte pública. As imagens vêm de acervos com licença livre ou em domínio público e foram tratadas para o site; o crédito completo está abaixo e na página institucional.
Rótulos das citações: Documento (lida na fonte primária), Registro (fonte secundária confiável), Atribuída (circula sem fonte primária localizada).
Documentos e bibliografia 110
- "Ativação do Centro de Instrução e Adestramento Almirante Radler de Aquino (CIAARA)". Anais Hidrográficos, LXXVII, p. 213-215
- "Evolução da Força de Submarinos". Revista do Clube Naval
- "O Navio de Pesquisa Hidroceanográfico Vital de Oliveira". Revista Marítima Brasileira
- "Vice-Admiral de Aquino". Journal of Navigation, v. 7, n. 2, abr. 1954, p. 135
- ABACC, About ABACC
- Academia Nacional de Medicina, "Joaquim Candido Soares de Meirelles"
- Agência Brasil, 11/12/2020
- Agência Marinha de Notícias, 31/10/2024, avanços do submarino nuclear Álvaro Alberto
- Agência Marinha de Notícias, Estação Antártica Comandante Ferraz completa 41 anos
- Agência Marinha de Notícias, Fragata Tamandaré chega pela primeira vez ao Rio de Janeiro
- Agência Marinha de Notícias, Fragata Tamandaré é incorporada à Esquadra
- Agência Marinha de Notícias, L. Guimarães, A retórica e o cofre, 14/10/2025
- Agência Marinha de Notícias, MANSUP avança em processo de qualificação
- Agência Marinha de Notícias, Marinha inicia construção da quarta fragata da classe Tamandaré
- Agência Marinha de Notícias, Marinha lança ao mar o Almirante Karam e entrega o Tonelero, 26/11/2025
- Agência Marinha de Notícias, OPERANTAR XLIV reforça pesquisa científica
- Agência Marinha de Notícias, primeira atracação de submarino da classe Riachuelo em Mocanguê, 04/04/2024
- Agência Marinha de Notícias, Submarino Almirante Karam conclui imersão estática, 29/09/2026
- AIEA, GOV/INF/2024/13, 15/11/2024
- Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, Histórico
- BBC News Brasil, 31/03/2026
- Bohrer, A DHN retratada pela filatelia, Revista do Clube Naval nº 415
- BRAGA, C. C. "28 de Março, Dia das Comunicações Navais: Vice-Almirante Tácito Reis de Moraes Rego, Patrono das Comunicações Navais". Revista Marítima Brasileira, 1º trim. 2014
- Braga, Projeto piloto do SisGAAz, parte II, RMB, 2º trim. 2021
- CASNAV, Histórico
- CEFAN, Histórico
- Centro de Auxílios à Navegação Almirante Moraes Rego, heráldica (captura de 27/01/2025 no Internet Archive)
- CGCFN, Carta de Serviços ao Usuário do CTecCFN
- CHM, Histórico
- CNEN, apostila "A Energia Nuclear e suas Aplicações"
- CNPq, O Almirante
- Comando da Força Aeronaval, Histórico
- Constituição da República Federativa do Brasil de 1988
- CPDOC/FGV, DHBB, verbete "Álvaro Alberto da Mota e Silva"
- CTMRJ, "Marinha do Brasil promove Centenário de nascimento do Vice-Almirante Paulo Moreira" (captura de 16/04/2021 no Internet Archive)
- CTMRJ, Histórico
- CTMSP, Enriquecimento
- CTMSP, Programa Nuclear da Marinha
- CTMSP, Quem somos
- Câmara dos Deputados, Relações Exteriores aprova acordo sobre submarinos com a França
- Dall'Agnol et al., Revista da EGN, v. 22, n. 2, 2016
- Declaração do Brasil, Comitê Principal II, XI Conferência de Exame do TNP, 05/05/2026
- Decreto nº 1.065, de 24/02/1994 (Acordo Quadripartite)
- Decreto nº 12.167, de 23/08/1916
- Decreto nº 2.864, de 07/12/1998 (TNP)
- Decreto nº 6.113, de 2 de fevereiro de 1876
- Decreto nº 6.703, de 18/12/2008 (Estratégia Nacional de Defesa)
- Decreto nº 74.055, de 13/05/1974, art. 1º
- Decreto nº 77.070, de 21 de janeiro de 1976
- Decreto nº 86.830, de 12/01/1982
- Decreto nº 9.916, de 04/04/1888
- Decreto nº 91.124, de 13 de março de 1985
- Decreto nº 93.439, de 17/10/1986
- Decreto nº 98.145, de 15/09/1989
- DGDNTM, Instituto de Pesquisas da Marinha: uma história de conquistas, Revista do Clube Naval nº 402, 2022
- DGDNTM, Sistema de CT&I da Marinha
- DHBB/CPDOC, verbete Álvaro Alberto da Mota e Silva
- DHN, ex-diretores (captura de 19/08/2026 no Internet Archive)
- Diretoria de Engenharia Naval, "Resumo Biográfico do CA(EN) João Cândido Brazil" (captura de 13/12/2024 no Internet Archive)
- DPHDM, "Vice-Almirante Felinto Perry" (biografia)
- DPHDM, Histórico da DPHDM
- Escola de Guerra Naval, Histórico
- Escola Naval, A História da EN
- FERREIRA, A. M. "Aula inaugural para a 77ª turma do CAHO". Anais Hidrográficos, LXXXI (2024), p. 11-12
- FGV CPDOC, Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro, verbete "GUIMARÃES, Protógenes"
- GOTAÇ, P. R. "Almirante Álvaro Alberto: docente, empreendedor e político". Revista Marítima Brasileira, 4º trim. 2022
- Hospital Naval Marcílio Dias, Histórico
- IEAPM, Histórico do IEAPM
- IEAPM, página histórica (captura de 11/07/2025 no Internet Archive)
- INB, "O que é o enriquecimento"
- INB, História
- INB, INB finaliza primeira fase de usina de enriquecimento de urânio, 21/11/2022
- InfoCIRM, estação do Arquipélago de São Pedro e São Paulo
- Instituto de Pesquisas da Marinha, Histórico
- Introdução à História Marítima Brasileira, 2ª ed., DPHDM, 2025, p. 112-113
- Kassenova, Brazil's Nuclear Kaleidoscope, Carnegie Endowment, 2014
- Laboratório Farmacêutico da Marinha, Histórico
- Lei nº 1.310, de 15 de janeiro de 1951
- Lei nº 12.706, de 08/08/2012
- Lei nº 8.617, de 04/01/1993
- LIMA JUNIOR, A. R. P. "Hidrografia! Hidrografia!". Revista Marítima Brasileira, 4º trim. 2014
- LIMA, S. C. S. "Joaquim Candido Soares de Meirelles: um médico negro na Corte Imperial (1797-1868)". Revista da ABPN, v. 12, 2020, p. 337
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- Marinha do Brasil, página "Patrono" (captura de 14/08/2026 no Internet Archive)
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- Memória CNEN, Cronologia Brasil
- Ministério da Defesa, Cerimônia marca incorporação do submarino Riachuelo, 01/09/2022
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- ROBERTO, E. G. "O centenário da Diretoria de Aeronáutica da Marinha". Revista Marítima Brasileira
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- SECIRM, Institucional
- SECIRM, LEPLAC
- SECIRM, reinauguração da Estação Antártica Comandante Ferraz
- SECIRM/PROANTAR, "In memoriam" (captura de 09/10/2025 no Internet Archive)
- Senado Federal, notas taquigráficas da 201ª Sessão Especial, 22/10/2019
- Vaisburd, "Yes, o Brasil tem Cobra", COPPE/UFRJ, 1999
- Vogt, Revista Marítima Brasileira, 1º trim. 2015
- Wikidata Q683143, Estação Antártica Comandante Ferraz, coordenada (P625)
Imagens 29
- Álvaro Alberto
- Barão de Teffé
- Radler de Aquino
- Planta hidrográfica da Laguna, 1864
- Navios diante de Villegagnon
- Atlas da Academia dos Guardas-Marinha
- O Rio visto do ancoradouro, 1821
- Arsenal de Marinha, 1856
- Carta do Atol das Rocas, 1858 (fac-símile)
- Lançamento do Sete de Setembro, 1874
- Planta hidrográfica da Laguna, 1864 (fac-símile)
- Ilha Fiscal vista da Ilha das Cobras
- Lançamento do Minas Geraes, 1908
- Submarino F1, classe Foca
- Hidroavião do raide a Campos, 1917
- Esquadrão HU-1, anos 1960
- Instituto de Pesquisas da Marinha
- NAeL Minas Gerais, 1968
- Lançamento da fragata União
- Estação Comandante Ferraz, 2011
- Nova Estação Comandante Ferraz, 2020
- Corveta Inhaúma
- Submarino Tamoio
- Ary Rongel na Antártica, 2004
- Centro Experimental Aramar
- Lançamento do submarino Tikuna
- Almirante Karam e Tonelero, 2025
- Lançamento do MANSUP, 2022
- Submarino Riachuelo
