Vitrine TecnológicaMarinha do Brasil

Personagem / Era 4

Vice-Almirante Álvaro Alberto

Álvaro Alberto da Motta e Silva

Químico e professor da Escola Naval, defendeu trocar minérios atômicos por tecnologia e foi o primeiro presidente do CNPq, de 1951 a 1955. É o patrono da CT&I na Marinha.

Nascimento
22 de abril de 1889, Rio de Janeiro/RJ
Morte
31 de janeiro de 1976, Rio de Janeiro/RJ
Área
Energia nuclear e política científica
Patrono
Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) na Marinha do Brasil
Retrato fotográfico em preto e branco de um homem calvo, de cabelo grisalho nas laterais, de terno escuro, gravata listrada e lenço no bolso, com leve sorriso.
Vice-Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, primeiro presidente do Conselho Nacional de Pesquisas, 1951. Fundo Agência Nacional, Arquivo Nacional.Agência Nacional, Arquivo Nacional, Fundo Agência Nacional (BR_RJANRIO_EH_0_FOT_PPU_08657_0001). Domínio público imagem tratada

Trajetória

Cursou a Escola Naval de 1906 a 1910 e recebeu o Prêmio Greenhalgh, a maior distinção acadêmica da escola. De 1916 a 1946 foi instrutor e depois catedrático de Química, Pólvora e Explosivos. Desenvolveu a Rupturita, explosivo produzido por uma empresa que ele fundou.

Em 1939 incluiu a fissão do urânio no programa de Química da Escola Naval. Uma revista de 1941 e o diretor da escola em 1946 registraram a Escola Naval como a primeira do país a estudar a ciência atômica.

Em 1946 e 1947 representou o Brasil na Comissão de Energia Atômica da ONU. Ali defendeu a tese das compensações específicas: o país que exporta matéria-prima nuclear deve receber em troca acesso à tecnologia, e não só pagamento.

Presidiu a Academia Brasileira de Ciências e chefiou a comissão do anteprojeto do Conselho Nacional de Pesquisas. A Lei nº 1.310, de 15 de janeiro de 1951, criou o CNPq, e ele foi seu primeiro presidente. Na sua gestão foram criados o IMPA e o INPA.

Negociou a compra de três ultracentrífugas na Alemanha Ocidental para enriquecer urânio. O embarque foi impedido pelas autoridades aliadas de ocupação, sob pressão dos Estados Unidos. Deixou o CNPq em março de 1955, ano em que foi promovido a Vice-Almirante.

Linha da vida

  1. 1889Nasce no Rio de Janeiro, em 22 de abril.
  2. 1906Entra na Escola Naval.
  3. 1916Começa a ensinar Química, Pólvora e Explosivos na Escola Naval, onde fica até 1946.
  4. 1939Inclui a fissão do urânio no programa de Química da Escola Naval.
  5. 1946Representa o Brasil na Comissão de Energia Atômica da ONU.
  6. 1951Torna-se o primeiro presidente do CNPq, criado pela Lei nº 1.310.
  7. 1955É promovido a Vice-Almirante e deixa a presidência do CNPq.
  8. 1976Morre no Rio de Janeiro, em 31 de janeiro.
  9. 2011É instituído Patrono da CT&I na Marinha do Brasil.

Em suas palavras

desenvolver a mentalidade atômica no Brasil, intensificar a formação de tecnologistas e cientistas, trazer homens de ciência estrangeiros para nos ensinar e mandar brasileiros aprenderem nos grandes centros de investigação de países amigos

Álvaro AlbertoRegistroA tarefa inicial que ele propunha para o CNPq, em depoimento reunido no livro 50 anos do CNPq contados pelos seus presidentes (2002), organizado por Shozo Motoyama. Trecho citado pela revista Pesquisa FAPESP.Pesquisa FAPESP, ed. 79, set. 2002, "50 anos do CNPq"

Lei Áurea da pesquisa

Álvaro AlbertoRegistroNome que ele deu à Lei nº 1.310, de 15 de janeiro de 1951, que criou o CNPq, no mesmo depoimento. A Lei Áurea, de 1888, aboliu a escravidão no Brasil.Pesquisa FAPESP, ed. 79, set. 2002, "50 anos do CNPq"

Rótulos das citações: Documento (lida na fonte primária), Registro (fonte secundária confiável), Atribuída (circula sem fonte primária localizada).

Legado

O Prêmio Almirante Álvaro Alberto, do CNPq, e o submarino de propulsão nuclear em desenvolvimento na Marinha, o SNCA Álvaro Alberto, levam seu nome.

Fontes

  1. Marinha do Brasil, página "Patrono" (captura de 14/08/2026 no Internet Archive)
  2. CPDOC/FGV, DHBB, verbete "Álvaro Alberto da Mota e Silva"
  3. GOTAÇ, P. R. "Almirante Álvaro Alberto: docente, empreendedor e político". Revista Marítima Brasileira, 4º trim. 2022
  4. SANTOS FILHO, P. G. "Mais uma marca da Escola Naval". Revista de Villegagnon, 2021/2022
  5. Pesquisa FAPESP, ed. 79, set. 2002, "50 anos do CNPq"
  6. Lei nº 1.310, de 15 de janeiro de 1951
  7. Agência Marinha de Notícias, 31/10/2024, avanços do submarino nuclear Álvaro Alberto